Odeio estar certa

Sabe, é por isso que eu não digo tudo o que penso e tudo o que sinto antes de conseguir me entender. Porque eu falo as coisas do modo que elas me vem à cabeça (e o modo que elas me vem à cabeça não é necessariamente o modo como eu me sinto), só que você gosta tanto de conversar e de falar demais e de me pressionar dizendo que eu sou uma ostra, que eu acabo falando tudo o que eu não queria falar porque nem eu entendo direito e aí fica tudo uma merda e, caralho. Há quanto tempo a gente não se fala?

Qual foi a última coisa que você disse pra mim? Eu nem lembro, tava tão irritada pensando que tudo o que você sabe me dizer é pra ficar calma quando em mim não sobrou sequer a noção do que seja calma. Eu não tenho paz, eu não dormia há dias e você me pede calma. Eu não posso mais ter calma, meu amor.

Ter calma agora não vai me salvar do estrago que essa história toda já me causou, do cansaço emocional que você me trouxe. A primeira vez que eu te vi, sabe o que eu pensei? Eu pensei “Fodeu”. Mas eu nunca pensei que estivesse tão certa. Eu tava tão certa quando te dizia que você jamais seria meu, eu tava tão certa quando eu tentava lutar contra isso, eu tava tão certa quando me fechava e não aparecia e fingia que não me importava. Porque quando eu te vi pela primeira vez eu pensei “Fodeu”. Porque o meu coração sumiu no peito, se escondeu e se fechou porque quando eu te vi pela primeira vez eu pensei que não era possível, eu tava eufórica, eu tava louca de felicidade.

Eu, a ostra, aluguei os ouvidos de todas as minhas amigas porque você é maravilhoso e incrível e me entende tanto e eu não canso nunca de ouvir a sua voz e o seu sotaque gostoso, e nada supera a delícia de te beijar pela manhã, de cara redondinha e preguiçosa. Eu havia encontrado você, sabe. Eufórica, eu tava eufórica. Nada podia ser melhor. Nem pior, porque eu tava tão certa.

E, pela primeira vez na vida, eu quis estar errada. Meu Deus, eu quis tanto estar errada. Eu queria tanto que eu estivesse errada. Porque estar certa dói, dói pra caralho. Estar certa molha meu travesseiro todas as noites, estar certa me mantém acordada durante a noite, me cansa, me machuca, me fere, me dói.

E talvez você tenha mesmo pensado que fosse ser diferente, quando você me dizia que seria. Eu não sei. Acho que é um avanço, sabe. Eu já consigo até duvidar do seu amor por mim. Porque eu estava eufórica, meu amor, e tudo o que você me pedisse eu  daria. E você pediu, mesmo. Até mais do que eu podia dar. E às vezes eu duvido de que isso seja amor.

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