I’m lost but I’m hopeful, baby.

‘Cause I’ve got one hand in my pocket
And the other is flicking a cigarette

Dei play no random e quando a Alanis começou a cantar me arrependi de não ter escolhido direito o que eu ia ouvir. Depois me dei conta de que não ia adiantar escolher o que ouço, como não adianta escolher quem vejo ou os lugares aonde vou. Como um toque de Midas reverso, tudo aquilo em que você tocou e era ouro pra mim, agora me parece sem valor e inconsistente. Me pego relembrando de coisas que eu não quero lembrar e perdendo a fome na primeira mordida. Ainda não consegui medir as proporções assombrosas que toda essa história tomou, mas foi ótimo ouvir um dos meus amigos mais próximos gritar comigo ao se eximir da culpa que lhe cabia, dizendo que eu sou “uma trouxa”.

Sou do tipo de pessoa que parte do pressuposto de que as pessoas estão falando a verdade e me orgulho disso porque costumo falar a verdade, especialmente com relação ao que sinto e penso. Eu sempre fiz minhas escolhas, por mais que elas me doessem – e escolhas tem o péssimo hábito de doer. Não é fácil pra ninguém, querido. Mas eu assumo os meus erros, peço minhas desculpas e boto a viola no saco quando acho que é a hora de procurar o caminho da roça.

E aí, você.  Você conquistou minha admiração porque eu sempre te achei tão corajoso e sincero. Foi muito fácil me apaixonar quando você parecia tão ligado a mim, de maneiras tão diversas. Nossas ideias tão parecidas, nossos ideais tão similares. E você se dizia tão apaixonado e era tão evasivo, minha curiosidade aquariana tornava impossível pensar em qualquer outra coisa que não fosse você. A cada dia juntos, cada semana, cada mês, eu agradecia a essa curiosidade, afinal você parecia aquela pessoa que eu jamais encontraria em outro lugar.

Não preciso falar no susto que eu levei quando descobri que não. Não preciso falar como me senti Alice, caindo no buraco e vendo toda aquela mentira passar por mim com ares de deboche. Sentada onde estou agora ainda consigo ver perfeitamente a cama feita, e eu vazia de segredos porque tudo o que havia pra saber sobre mim eu dividi com você.

Agora você me liga e pergunta como deve agir pra reparar o dano. Meu bem, esse dano é irreparável. Eu não te conheço. Eu não sei quem você é. Tudo o que eu te disse era verdade, e essa é a única coisa que eu conheço de nós dois. O que você deve fazer é o que você quiser. O que você deve fazer é ter coragem de ser aquilo que você é de verdade, sair da casca. Virar gente. Eu não sei o que você deve fazer.

Eu? Eu vou rezar um pouquinho mais e recuperar minha fé na humanidade. Eu vou continuar sendo eu, com meus acertos e principalmente meus defeitos. No meio disso tudo, eu vi que tem também gente que me ama muito e se machuca comigo. Gente que abre mão da própria dor pra sentir a minha. Ainda não vi demonstração de amor maior, e isso me impede de chorar.

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