Am I that fucked up?

Eu me vi caindo e sem chão. Eu te vi tão sem palavras quanto como nunca. Me vi presa ao papel de frágil, tão veementemente evitado por mim. Agora eu não conseguia escapar dos olhares, tão obviamente penalizados e complacentes. Eu não tive raiva por toda a situação, não tive raiva por ter sido tão enganada, por aquilo tudo eu fiquei muito triste. Raiva mesmo eu tive foi da parte em que eu tive que lidar com a pena que era a mim dirigida e principalmente com aquela curiosidade que só a desgraça da vida alheia nos proporciona. Nós humanos somos seres desprezíveis.

Quando resolvi te perdoar, obviamente eu não sabia disso – se soubesse teria decidido diferente, talvez -, mas agora eu sei exatamente o que isso é: um exercício diário. É claro que a cada dia que passa eu penso menos e as pessoas pararam de me olhar tão piedosamente – a maioria delas, exceto uma gente que insiste em tocar no assunto e a me olhar com uma cara tão pavorosa de uma pena mal disfarçada enquanto eu tento sem sucesso me desvencilhar da conversa – mas há dias em que eu acordo e não confio que eu consiga passar por isso. Há noites em que eu me desespero pensando que teria sido tão melhor se eu fosse uma pessoa mais rancorosa. Eu sei hoje que todas as manhãs eu decido afastar os pensamentos e limpar a mente e continuar te perdoando.

Eu te amo, não é disso que eu estou falando. Eu amo você e a sua esperteza, o seu lavar as louças, o seu dirigir tão sensacionalmente bem, o seu não se incomodar se eu preciso trabalhar na monografia mesmo que você tenha vindo pro fim de semana, eu amo seu carro empoeirado e o modo como você faz tudo tudo tudo o que eu te peço. Esse seria o momento em que eu diria que amo todos os seus defeitos, mas alguns deles me partiram o coração de uma forma que eu não sei descrever.

Eu adormeço nos seus braços rezando e antes eu rezava por bebezinhos de olhos redondos e cílios compridos feito os seus, mas agora eu rezo pra esquecer. Pra não te culpar eternamente. Pra não me culpar eternamente por te culpar eternamente. Eu rezo também pra que, oh, Deus, que você não esteja, de maneira alguma, falando qualquer mentira dessa vez. Por favor, por favor, por favor. E se você estiver que eu não descubra. Por favor, por favor, por favor.

Ainda to fudida assim?

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Um pensamento sobre “Am I that fucked up?

  1. Amiga, quando eu li esse texto na primeira vez eu chorei. Eu chorei porque sou boba e porque você é tão linda; e eu desejo com a mesma força que você pra que tudo volte a funcionar. Eu te amo tanto e quero te botar num potinho de vidro pra não doer nunca mais. Vai passar, viu? Vai passar.

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