(outras) Miguelices

— Mamãe, fica escuro!
— Eu não sei ficar escuro, como é ficar escuro?
*Miguel fecha os olhos* — Assim!

***

Miguel está com vontade de fazer xixi e, ao invés de ir ao banheiro, fica se contorcendo pela casa.
Tiago: — Miguel, para de segurar esse pinto e vai fazer xixi!
Miguel: — Pinto não, pinto é feio.
T: —  E como é, então?
M: — Peru!

***

— Miguel, tia Ana sentiu tanta saudade de você!
— Então fica aí.

***

Ao telefone:
— Tia Ana, to comendo pizza italiana delicia!
— Guarda um pedacinho pra mim!
— Tudo meu, nham nham pizza.

***

Miguel: — Tia Ana, me leva no shopping pra eu comprar um carrão.
Cunhada: —Filho, você tem dinheiro pra comprar um carrão?
M: — Não, mas a tia Ana vai me dar.

 

Havia sido um dia terrível. Apareceu novamente aquela ansiedade que fazia tempo não lhe aborrecia, e mais uma vez ela se sentiu tão sozinha, que nem um mar de gente lhe sorrindo e dizendo coisas bonitas a impediriam de chorar. Levantou-se da cama, numa de suas últimas tentativas de lutar contra aquele monstro dentro de si, vestiu-se e foi trabalhar. No caminho, não percebeu o céu azul, muito menos que o casaco que escolhera era quente demais pra um dia tão ensolarado. Não notou as flores e o cartão que estavam sobre sua mesa no trabalho. Era dia dos namorados, mas ela jamais saberia que era amada ou quem a amava. Pra falar a verdade, sequer sabia que era dia dos namorados.

Trabalhou, então. Fez tudo o que devia fazer, não parou na hora do almoço. Desejava mais do que tudo ir embora de uma vez. Não sabia o que fazia ali e se arrependia de ter decidido levantar da cama naquela manhã. E às quatro horas, ela voltou pra casa. Passou na farmácia no caminho, devia pegar um daqueles remédios que supostamente ajudariam a adormecer a ânsia, mas na verdade adormeciam a ela. E pensou que seria bom dormir um pouco.

Chegou em casa, tomou um banho, abriu um vinho, leu um pouco. Ouviu suas músicas preferidas. Tomou o dito remédio, mas ela precisava dormir naquele instante, e ainda não estava se sentindo sonolenta, apenas cansada. Então, multiplicou a dose, não saberia dizer por quanto.

Deitou-se e dormiu. Sonhou com uma reunião que era na verdade uma festa para anunciar o seu noivado. Estranhou principalmente o fato de que ela jamais havia visto antes aquele que seria seu noivo. Conhecia e amava todos os outros convidados e não conseguia se lembrar quem era ele. Mas ela sorria, e o noivo sorria, ao contrário de todos os outros. De repente, no entanto, percebeu que todos usavam preto. Passou a notar as lágrimas dos outros convidados, mas deu de ombros porque estava feliz e trocava juras de amor e brindava à vida com aquele homem que ela mal conhecia. E sorriam, felizes. Havia um caixão na festa, mas isso não a perturbou, e sim atiçou sua curiosidade. Quando chegou perto do esquife, porém, pode ver claramente que seu corpo lá jazia. O noivo segurou sua mão e foi aí então que percebeu o quanto a mão dele era gelada e sua tez, pálida. Ele sussurrou ao seu ouvido “está na hora”, e ela então sorriu mais uma vez, abraçou a irmã, jogou um beijo aos pais e sumiu-se nos braços do seu mais novo amor. Não acordou.

Enquanto isso, sobre a mesa que havia sido dela no escritório em que trabalhava, havia um cartão. E o cartão dizia:

“Nos vemos à noite. M.”

ai, gente

Então eu achei que este singelo blog tinha visitantes demais e caí na BESTEIRA de olhar os termos de busca do Google. Pra quê, né?

Top 3 (na minha cabecinha NORMAL):

3 – caralho mole
queridos, a vida já não está boa e vocês me vem procurar caralho mole aqui no blog? se aqui tivesse caralho, este caralho seria duro. vamos combinar

2 – o que eu entendo por auto conhecimento
amigos, não está dando pra fazer trabalho de escola na wikipedia esses dias, ces acham que vai dar pra fazer aqui? dsclp, não.

1 – sobrinho tentando comer a tia
GENTE, NÃO. APENAS NÃO. pelamor

Segunda-feira (sempre ela!)

Daí que, com tudo o que me aconteceu hoje; tipo dor de barriga no meio da estrada, tipo chegar atrasada no trabalho e depois no fórum e depois – porque não? – na vida, tipo perder o celular pela milionésima vez desde que me mudei pra essa cidade que só faz me deixar maluca; eu imaginei que fosse chegar em casa, comer qualquer coisa, tomar um banho morno e dormir loucamente.

Não dormi e fiquei aqui tentando administrar a vontade de sentar ali no cantinho e chorar, porque né, muito mais adulto. Muito mais maduro.  Sei lá com que forças estarei de pé às seis da manhã de amanhã, mas vamos lá: pensamento positivo e uma abinha do chrome aberta no http://kukuklok.com/, que é pra dar uma força.

Ou, né, foda-se essa porra toda e que meu pau cresça. Ou não, porque eu to dura pra caralho e, pelas minhas contas, a qualquer momento do dia ou da noite eu vou me achar na calçada com todos os meus pertences em sacolinhas do Super Bom – parêntese aqui: outro dia não deu tempo de lavar a cabeça e eu tive que prender a franja oleosa com clipes de papel, fecha parêntese.

Acho que escrevo essas coisas pra o dia em que eu ficar RYCAH, MUAH, ler isso aqui e ter um daqueles papos blablabla não esqueço de onde eu venhzzzzzz com as pessoas, porque né. Nada mais justifica gastar as teclinhas do notebook com isso.

Vou ver smash que eu ganho mais.

Então.

Daí a vida mudou num pulo e eu to aqui, guardando no coração o beijo que uma mocinha de uns 2 anos jogou pra mim na fila do supermercado, porque né: vamos guardar as boas coisas da vida.

E eu descobri que tudo se resume a: sentir saudade. Muitas. Imensas. Infinitas. De todo mundo. Do som de uma risada. De um “acorda, pincesa”. De umas fofocas descaradas ao telefone. De dividir um cachorro quente empoeirado (e, olha, pra se sentir saudade até de um cachorro quente empoeirado é porque tá foda).

2013, seu lindo. Estou te amando, apesar de às vezes você se esforçar MUITO pra não ser assim.

To bem, to saudável, ando muito a pé. Tem muita cafeína e muita nicotina no meu dia também, mas me deixa. To ruim de grana, mas a maioria das pessoas legais que eu conheço estão também. Tá dando pro aluguel e pra cerveja do fim de semana, to boa.

Até que enfim.

As vezes é muitíssimo chato não ter porte de arma

Preciso acordar às sete. Nunca fui excelente em acordar cedo, mas as coisas funcionam quando eu durmo, tipo, muito cedo.
Hoje eu consegui dormir cedo. Até dez pra uma, que foi quando dois dos meus vizinhos acharam de bom tom vir conversar em voz alta na.minha.porta. Chuchu beleza de lidar, to gata, to linda.
Deitei de novo e outro vizinho achou maneiro buzinar a porra de uma moto debaixo da minha janela durante quarenta minutos.
E tá lá, minha gente, buzinando aquela merda até agora.
Hoje tá muito difícil não perder a fé no bom senso das pessoas, viu.

Toda segunda:

¤ acordar atrasada e cansada;
¤ lutar contra a imensa vontade de permanecer escondida debaixo das cobertas;
¤ não ver absolutamente nenhuma mudança, apesar do esforço incessante;
¤ andar pela casa nos seus chinelos;
¤ chorar um pouquinho pra ver se passa.

Body shaming e o que eu tenho a ver com isso

A reflexão começou cerca de um mês atrás, quando eu estava com amigas numa festa e uma moça se aproximou do nosso grupinho dizendo que “e daí se minha calça é feia? Ela é 36!” e repetiu isso umas muitas vezes, até a gente se cansar.
Continuou semanas depois, quando essa mesma moça comentava com uma amiga sobre a chegada do verão; e disse que nunca mais sairia da rotina de exercícios, na qual entrara quando o descontrole havia chegado a um limite inimaginável, imaginem: a moça chegou a vestir manequim 40! Que horror, não?*

 Quando eu ouvi a conversa, só consegui pensar que, nossa! isso deve fazer de mim uma baleia. Eu ri e achei bobo porque eu não poderia me sentir mais confortável a respeito do meu corpo do que me sinto hoje. Acontece que nem sempre foi assim, e foi por isso que esses episódios custaram a me sair da cabeça.

Na infância, eu era, nas palavras da minha avó, muito magrela e muito “joelhuda”. Quando veio a puberdade, num minuto eu usava tamanho 34-36 e no outro eu usava 40. Não me achava gorda e não o era, mas não era mais magricela e joelhuda. Na escola, eu jogava handebol e vôlei, andava de bicicleta todos os dias por pelo menos meia hora e ia nadar sempre que não tinha lição de casa ou treino.
Aos 16 anos, comecei a trabalhar das 8h às 18h num cartório, mudei meu horário escolar da manhã para a noite e, é claro, abandonei todas as atividades extracurriculares que não eram fundamentais pra minha formação acadêmica porque eu não tinha tempo ou vontade de encontrar tempo pra me movimentar. Eu gostava daquilo, mas tinha muito mais a ver com diversão e eu não podia me dar ao luxo de me divertir tantas vezes por semana porque eu tinha mais o que fazer.
Não demorou pra que eu começasse a ganhar peso, e me inscrevi numa academia, mas aquele não era o meu jeito favorito de me mexer, então é claro que eu não fiquei por lá o mês inteiro que eu paguei.
Encontrei vários nutricionistas ao longo da minha adolescência e alguns hábitos eram muito fáceis de adquirir, então no começo eu sempre via bons resultados. Quando o ritmo começava a diminuir, no entanto, eu começava a oscilar de um extremo a outro: alternava entre muitas horas sem ingerir absolutamente nada além de água e instantes de compulsão alimentar insana, irrefreável. Invariavelmente, o tratamento nutricional passava a não valer de  nada porque eu simplesmente não seguia o plano.
Fiz incontáveis dietas loucas – a maioria das quais eu escondia de todos, porque era óbvio que aquilo não podia ser saudável. Emagreci tantos quilos quantos ganhei de volta.

Não sei dizer em que parte do caminho foi que eu parei de me preocupar tanto com isso. Quando foi que eu comecei a me achar bonita da maneira que eu sou, a gostar do que vejo no espelho. Assim, desse jeito. Meio gorda, dentes da frente um pouco tortos, quadris imensos. To linda. *muah*

É claro que eu ainda sinto falta de encontrar algum movimento que me faça bem (acontece que bons hábitos são tão difíceis de adquirir quantos os ruins são de largar), espero um dia sentir vontade de verdade de parar de fumar, enfim: trabalhar na minha qualidade de vida.
Eu estava tentando fazer todas as coisas certas, mas pelos motivos errados. E fico feliz que tenha dado tudo errado. Podia ser eu entrando no meio de um grupinho de amigas acima do peso, um mês atrás, só  pra contar pra elas que a minha calça era 36. Talvez, pelo fato de a minha jornada rumo à magreza não ter dado certo, eu tenha me tornado uma pessoa menos superficial. Eu gosto de pensar que sim.

Porque hoje, nem tanto tempo assim depois que tudo isso aconteceu, eu tenho muito mais vergonha de ter maltratado meu corpo da maneira que o maltratei, negando meu biotipo, tentando atingir padrões inatingíveis, ditados por alguém que sequer sabia da minha existência; do que tenho vergonha de tirar a roupa pra ir à praia ou pra transar de luz acesa.
Ainda bem que eu aprendi a me amar mais.

Hilda manda um “beija meu cofrinho” pros ditadores da magreza.

*Alerta de ironia, pra quem é meio Sheldon.

Speechless

Faz tanto tempo desde a última vez em que eu escrevi aqui e tanta coisa mudou.  Acontece que, de alguma forma, tudo continua tão igual. E eu quis tanto escrever, tirar um pouco isso de mim, até o fiz, mas nada me pareceu bom o suficiente ou interessante o suficiente. Exatamente porque quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas e isso. é tão. cansativo.
Tem tanta gente pra quem eu preciso ligar, não só gente que pode realmente mudar o cenário, mas gente de quem eu preciso por motivos de preciso. E daí eu to  aqui incapaz de pegar o telefone e vai saber porque.
E não fosse o suficiente estar super precisada daquela terapia a gata resolve que dá estágio com pessoas loucas, então tá. Eu queria apenas comentar que apareço (quando apareço) depois das 9h e saio antes das 15h30m e ainda assim teve nega que me achou ~~ameaçadora o suficiente para simular que eu furtei coisas do escritório. risos. muitos risos.
Uma vida resumida em sentir que se está a milhas e milhas e milhas de qualquer lugar decente. Em qualquer momento da vida. Em qualquer fragmento de sonho.

***

– Pai, to tão insatisfeita com a minha vida.
– Todo mundo tá insatisfeito. Tem gente que finge melhor.

***

Uma biblioteca linda no escritório, cheia de títulos deliciosos. A gata escolhe para ler nesta semana super legal: Amar, verbo intransitivo. Só queria que todos soubessem que se a vida está um saco a culpa disso é toda minha.
Pelo menos o boy tá barbudo (depois de uma insistência sem fim, acho que ele desistiu) e me ama.