I want it all

Sempre que eu sei de você me invade esse quentinho no peito, misturado com uma angústia e uma dose enorme de saudade.
E aí eu rolo a noite inteira na cama, às vezes insone, às vezes sonhando com uma cama nunca mais arrumada; um Box pequeno demais; três sapinhos abraçados e sorridentes; o céu cinza mais feliz do mundo.
E por vezes a minha vontade de te abraçar uma outra vez me dói a barriga. Por vezes pensar que isso pode não acontecer me dá medo e ânsia de vômito.
Não que eu não esteja feliz, porque eu estou. Me sinto segura, amada, útil.
Mas se eu pudesse querer qualquer coisa no mundo, se eu tivesse um gênio da lâmpada, eu quereria ter tudo. E tudo eu sei que não posso ter.

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Speechless

Faz tanto tempo desde a última vez em que eu escrevi aqui e tanta coisa mudou.  Acontece que, de alguma forma, tudo continua tão igual. E eu quis tanto escrever, tirar um pouco isso de mim, até o fiz, mas nada me pareceu bom o suficiente ou interessante o suficiente. Exatamente porque quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas e isso. é tão. cansativo.
Tem tanta gente pra quem eu preciso ligar, não só gente que pode realmente mudar o cenário, mas gente de quem eu preciso por motivos de preciso. E daí eu to  aqui incapaz de pegar o telefone e vai saber porque.
E não fosse o suficiente estar super precisada daquela terapia a gata resolve que dá estágio com pessoas loucas, então tá. Eu queria apenas comentar que apareço (quando apareço) depois das 9h e saio antes das 15h30m e ainda assim teve nega que me achou ~~ameaçadora o suficiente para simular que eu furtei coisas do escritório. risos. muitos risos.
Uma vida resumida em sentir que se está a milhas e milhas e milhas de qualquer lugar decente. Em qualquer momento da vida. Em qualquer fragmento de sonho.

***

– Pai, to tão insatisfeita com a minha vida.
– Todo mundo tá insatisfeito. Tem gente que finge melhor.

***

Uma biblioteca linda no escritório, cheia de títulos deliciosos. A gata escolhe para ler nesta semana super legal: Amar, verbo intransitivo. Só queria que todos soubessem que se a vida está um saco a culpa disso é toda minha.
Pelo menos o boy tá barbudo (depois de uma insistência sem fim, acho que ele desistiu) e me ama.

Na sexta-feira, ao meio-dia, aconteceu comigo uma coisa que eu buscava há meses. Depois de tanto estudo, de tanto sacrifício, de comer mal e descansar muito pouco, passei numa prova dificílima, provei minha capacidade, fiquei orgulhosa de mim.
À uma da tarde, confirmei uma suspeita horrorosa e desprezível e desde então nada faço além de me perguntar o que dá pra fazer com isso.

No sábado, às três e quarenta da manhã, eu não conseguia dormir nem respirar direito e fui me esconder dos meus monstros debaixo da tua coberta. Você me abraçou e “shhh… respira fundo, assim ó” e de repente eu consegui respirar de novo e finalmente adormecer.
Às dez da noite, você me levou pra sair. E daí tocaram “Daughter” na festinha e você reparou meus olhos tristes, mas disfarçou um pouco antes de me levar embora.

No domingo, às seis e meia da manhã, eu estava prestes a enlouquecer quando você ouviu meus soluços e de um salto veio parar ao meu lado. “Shhh… respira!” E o carinho na cabeça. E finalmente o desmaio.
Daí você me trouxe pra casa e voltou pra sua, porque o fim de semana acabou.

E eu aqui, ainda imaginando o que será que dá pra fazer com isso.
E soluçando e enlouquecendo e sem conseguir respirar direito.
E, por alguma razão, parece que eu só consigo respirar quando você respira do meu lado, só consigo dormir quando você dorme do meu lado.
E eu aqui, morrendo de medo de nunca mais dormir.

Por favor, volta.

Das desvontades

Você já atravessou a rua só porque viu que alguém conhecido se aproximava? Não estou falando de “conhecidos”, daqueles que você não se importaria sinceramente nem por um segundo se morressem. To falando de gente conhecida mesmo, com quem você simpatiza ou até gosta.

Daí eu tava voltando pra casa hoje na hora do almoço e eu vi que fiz isso. Eu vi uma moça que eu conheço e até gosto, mas fingi não notar e atravessei a rua, porque vai que essa desvontade é contagiosa? Já pensou, a moça tá lá toda feliz escolhendo os tomates dela (ela tava na quitanda, perto de casa), despreocupada da vida, enquanto eu me aproximo sorrateiramente e despejo toda essa falta de querer em cima dela. Nada é tão ruim quanto essa languidez inconveniente, e eu não desejaria isso pra minha conhecida, de quem eu inclusive gosto.

Ontem foi bom porque eu tava tão mal, mas daí ele me ligou e percebeu. E veio. E me abraçou forte e me beijou fundo e disse que “minha querida, você não pode ficar assim, o que eu posso fazer por você?” e eu queria dizer que tudo o que ele podia fazer ele já tinha feito, mas nada saiu. É engraçado como umas coisas fáceis de sair crescem na garganta da gente mas parecem que grudam no céu da boca. Feito bala de goma. Ou aquelas 7 Belo.
Outro dia eu precisava ir ao banco pagar uma conta, mas achei que era tanto esforço desnecessário, e no mesmo instante em que eu desci do ônibus me bateu uma ânsia incontrolável e desmedida de ir pra casa. Sentei na praça e chorei um pouco, me perguntando qual seria a utilidade de todo aquele drama pra pagar a porra de uma conta no banco. Né?

Então eu não vou. Preciso de um documento do colégio aonde terminei o ensino médio, mas fica pra outro dia. Tem uma palestra na faculdade, mas será que eu vou? Tão longe de casa, demora tanto pra voltar… Vale a pena sair de casa, se quando as pessoas falarem comigo eu vou apenar revirar os olhos e usar um misto de sarcasmo e ironia, apenas pra elas desistirem de mim antes que eu desista delas?

Não, acho que eu não vou.

Que seja.

Tem tanto tempo que eu quero escrever algo sobre nós dois, sobre a paz que tomou conta da gente e nos fez mais fortes.
Acontece que toda vez que eu sentava aqui pra escrever e começava a me sentir orgulhosa e feliz, era como se uma voz gritasse dentro da minha cabeça. E ela gritava que não, eu NÃO PODIA me sentir daquela forma, eu não podia me sentir alegre ou leve com relação a nós dois.  Era uma vergonha que eu estivesse feliz, eu só podia ser mesmo uma burra por estar feliz. A felicidade foi feita apenas para os idiotas; quem possui um cérebro e a capacidade de usá-lo está fadado a sentir-se miserável eternamente.

Então, ser feliz com você seria assim tão absurdo? Mais absurdo que nos condenar a essa falsa sensação de paz? Mais absurdo que ter me permitido ser feliz quando gente que sequer chegou a me amar me fez sofrer tanto; mais absurdo que perdoar essa gente?

Então, que seja.
Eu não posso continuar fechando meus olhos pra todo o bem que você tem me feito, nem agir como se tudo fosse uma compensação pelo que aconteceu conosco. Eu não posso continuar me comportando como se, pelo fato de você ter cometido um erro — enorme, é verdade, mas um erro — toda a minha arrogância seja compreensível.

Você foi capaz de transformar toda aquele vazio e aquela dor num sossego que eu não sei começar a descrever. Me fez querer ser paciente e te ver mudando, dia após dia, me fez querer ficar pra perceber essa mudança.

De um jeito meio torto, me lembrou a primeira vez em que você disse que me amava. A gente viajou pro litoral com os seus amigos e você ficou bêbado demais, cedo demais.
— Eu te amo, cara — eu não sei como você consegue, mas tem hora que você sorri com a cara toda e naquela hora você sorria com os dentes, a boca, os olhos e o nariz. Lindo. Lindo.
— Você tá bêbado.
— Mas é verdade.
— Amanhã você nem vai lembrar disso.
— Amanhã eu vou acordar sóbrio e vou te dizer de novo que eu te amo.

E foi o que você fez na manhã seguinte. E foi assim que, dia após dia, você acordou sóbrio de toda essa bagunça e me disse de novo, e de novo, e de novo. Até que eu finalmente acreditasse. Até que eu dissesse de volta. Até que eu desejasse te amar de novo do mesmo jeito que eu te amei quando te vi sorrindo com o queixo e as sobrancelhas, ainda não sei se do álcool ou se da  antecipação de dizer “eu te amo” pela primeira vez.

E é assim que eu desejo te amar. Sem pensar demais, nunca mais, pra não me privar de sentir a ternura que eu sinto pelos seus olhos castanhos. Essa ternura que eu sinto pelo seu cabelo despenteado, pela sua bermuda surrada. Essa ternura de cheirar seu pescoço e querer sentir isso pra sempre.

Então, que seja. Que seja dócil até ser bobo de novo.

Am I that fucked up?

Eu me vi caindo e sem chão. Eu te vi tão sem palavras quanto como nunca. Me vi presa ao papel de frágil, tão veementemente evitado por mim. Agora eu não conseguia escapar dos olhares, tão obviamente penalizados e complacentes. Eu não tive raiva por toda a situação, não tive raiva por ter sido tão enganada, por aquilo tudo eu fiquei muito triste. Raiva mesmo eu tive foi da parte em que eu tive que lidar com a pena que era a mim dirigida e principalmente com aquela curiosidade que só a desgraça da vida alheia nos proporciona. Nós humanos somos seres desprezíveis.

Quando resolvi te perdoar, obviamente eu não sabia disso – se soubesse teria decidido diferente, talvez -, mas agora eu sei exatamente o que isso é: um exercício diário. É claro que a cada dia que passa eu penso menos e as pessoas pararam de me olhar tão piedosamente – a maioria delas, exceto uma gente que insiste em tocar no assunto e a me olhar com uma cara tão pavorosa de uma pena mal disfarçada enquanto eu tento sem sucesso me desvencilhar da conversa – mas há dias em que eu acordo e não confio que eu consiga passar por isso. Há noites em que eu me desespero pensando que teria sido tão melhor se eu fosse uma pessoa mais rancorosa. Eu sei hoje que todas as manhãs eu decido afastar os pensamentos e limpar a mente e continuar te perdoando.

Eu te amo, não é disso que eu estou falando. Eu amo você e a sua esperteza, o seu lavar as louças, o seu dirigir tão sensacionalmente bem, o seu não se incomodar se eu preciso trabalhar na monografia mesmo que você tenha vindo pro fim de semana, eu amo seu carro empoeirado e o modo como você faz tudo tudo tudo o que eu te peço. Esse seria o momento em que eu diria que amo todos os seus defeitos, mas alguns deles me partiram o coração de uma forma que eu não sei descrever.

Eu adormeço nos seus braços rezando e antes eu rezava por bebezinhos de olhos redondos e cílios compridos feito os seus, mas agora eu rezo pra esquecer. Pra não te culpar eternamente. Pra não me culpar eternamente por te culpar eternamente. Eu rezo também pra que, oh, Deus, que você não esteja, de maneira alguma, falando qualquer mentira dessa vez. Por favor, por favor, por favor. E se você estiver que eu não descubra. Por favor, por favor, por favor.

Ainda to fudida assim?

I’m lost but I’m hopeful, baby.

‘Cause I’ve got one hand in my pocket
And the other is flicking a cigarette

Dei play no random e quando a Alanis começou a cantar me arrependi de não ter escolhido direito o que eu ia ouvir. Depois me dei conta de que não ia adiantar escolher o que ouço, como não adianta escolher quem vejo ou os lugares aonde vou. Como um toque de Midas reverso, tudo aquilo em que você tocou e era ouro pra mim, agora me parece sem valor e inconsistente. Me pego relembrando de coisas que eu não quero lembrar e perdendo a fome na primeira mordida. Ainda não consegui medir as proporções assombrosas que toda essa história tomou, mas foi ótimo ouvir um dos meus amigos mais próximos gritar comigo ao se eximir da culpa que lhe cabia, dizendo que eu sou “uma trouxa”.

Sou do tipo de pessoa que parte do pressuposto de que as pessoas estão falando a verdade e me orgulho disso porque costumo falar a verdade, especialmente com relação ao que sinto e penso. Eu sempre fiz minhas escolhas, por mais que elas me doessem – e escolhas tem o péssimo hábito de doer. Não é fácil pra ninguém, querido. Mas eu assumo os meus erros, peço minhas desculpas e boto a viola no saco quando acho que é a hora de procurar o caminho da roça.

E aí, você.  Você conquistou minha admiração porque eu sempre te achei tão corajoso e sincero. Foi muito fácil me apaixonar quando você parecia tão ligado a mim, de maneiras tão diversas. Nossas ideias tão parecidas, nossos ideais tão similares. E você se dizia tão apaixonado e era tão evasivo, minha curiosidade aquariana tornava impossível pensar em qualquer outra coisa que não fosse você. A cada dia juntos, cada semana, cada mês, eu agradecia a essa curiosidade, afinal você parecia aquela pessoa que eu jamais encontraria em outro lugar.

Não preciso falar no susto que eu levei quando descobri que não. Não preciso falar como me senti Alice, caindo no buraco e vendo toda aquela mentira passar por mim com ares de deboche. Sentada onde estou agora ainda consigo ver perfeitamente a cama feita, e eu vazia de segredos porque tudo o que havia pra saber sobre mim eu dividi com você.

Agora você me liga e pergunta como deve agir pra reparar o dano. Meu bem, esse dano é irreparável. Eu não te conheço. Eu não sei quem você é. Tudo o que eu te disse era verdade, e essa é a única coisa que eu conheço de nós dois. O que você deve fazer é o que você quiser. O que você deve fazer é ter coragem de ser aquilo que você é de verdade, sair da casca. Virar gente. Eu não sei o que você deve fazer.

Eu? Eu vou rezar um pouquinho mais e recuperar minha fé na humanidade. Eu vou continuar sendo eu, com meus acertos e principalmente meus defeitos. No meio disso tudo, eu vi que tem também gente que me ama muito e se machuca comigo. Gente que abre mão da própria dor pra sentir a minha. Ainda não vi demonstração de amor maior, e isso me impede de chorar.

Valeu, aê.

Saí de fininho no meio da noite pra fumar um cigarro no terraço e me dei conta que de a última vez em que eu fiz isso você estava lá comigo. E a gente ria e conversava, era tudo tão perfeito que se alguém me contasse que era de mentira eu jogava a pessoa lá de cima. Você me apareceu quando eu mais precisava de alguém assim, exatamente como você me fez acreditar que era, e agora eu já não sei mais no que acreditar. O seu cheiro no meu travesseiro não sai, não importa quantas vezes eu lave aquele maldito e a única pergunta que eu tenho – porquê? – você se recusa a responder. Porque você colou todos os meus pedacinhos, porque eu comecei a acreditar que dessa vez não tinha drama, porque a gente dividia o cigarro, os amigos e a cama, sempre feita e te esperando. Eu não consigo ainda acreditar que tudo tenha sido uma mentira. A mentira mais bem contada, mais enorme e mais horrenda que já me contaram. Eu virei aquela garota que chora no ônibus, que se concentra o dia inteiro pra não cair no choro na frente de desconhecidos, eu virei de novo aquela menina que a mãe bota na cama e reza baixinho pro mal passar. Bem quando eu tive fé de novo na humanidade, eu tomei o maior tombo da minha vida e voltei a pensar que não tem saída, que o mundo é louco demais e eu quero descer porque não dou conta. Não dou. E eu te odeio muito por isso, eu não consigo te olhar sem pensar PORQUÊ, CARALHO? Porquê? Você fodeu o infodível. E eu te amo porque eu não consigo acreditar que você tenha realmente mentido o tempo inteiro, eu te amo porque você me consertou e me fez querer ser melhor, aprender a cozinhar e saber de todas as músicas sensacionais que tocavam no seu carro. Eu te amo porque ainda não consigo acreditar. Ainda acho que vou acordar amanhã e tudo vai passar, como num sonho ruim. Fico esperando um kick, bem Inception. E essa noite eu vou me deitar e rezar baixinho pro mal passar. Pedir a Deus, a todos os deuses, aos semi-deuses, aos mortais porque eu preciso de qualquer ajuda. Eu não consigo mais colar isso. Tá quebrado demais, de um jeito que eu nunca vi. Você me fodeu inteira.

Quando a irritação vira tristeza. Ou talvez seja só cansaço.

Vou começar este post apelando pra simpatia e coração mole de quem for ler:

tô cansada pra caralho

Hoje foi um dia daqueles. Daqueles em que nada sai como planejado, daqueles em que não se rende 10% do que deveria, daqueles em que a vizinha resolve fofocar na beira da sua janela às 8 da manhã de um sábado frio e nublado. Daqueles em que você deveria escrever um trabalho gigantesco, mas não consegue se aproximar do computador. Hoje eu devia estudar, mas o bebê chorou o dia inteiro e quando ele deu uma folga o vizinho resolveu chamar a Paula Fernandes pra cantar na sala da minha casa. Eu tentei muito continuar lendo, eu persisti com o lápis atrás da orelha e o livro do Capez em punho, como se eu realmente fosse conseguir entender alguma coisa com aquele forró retumbando bem dentro do meu cérebro.

Desisti e fui procurar o pen drive pra continuar meu trabalho e descobri que meu pen drive não só não é meu como também deve ser de alguma pessoa que eu nunca vi na vida, uma vez que ele não está em lugar algum desta casa e os outros moradores disseram que nunca vi nem comi eu só ouço falar. E aí eu começo a pensar que deve ser bem legal morar numa casa onde absolutamente tudo não seja comunitário, onde eu possa ler a porra do material da faculdade em paz, fumar um cigarro bem no meio da sala.

Não é falta de amor nem egoísmo, é só cansaço. Preciso de um canto. E começo a achar que o único jeito de eu amar mais minha família é saindo dessa casa. Mas enquanto isso não acontece, vou lá aproveitar que deu o toque de recolher e essa galera me deixou em paz pra tentar produzir.

vou usar a teoria do playmobil