Na sexta-feira, ao meio-dia, aconteceu comigo uma coisa que eu buscava há meses. Depois de tanto estudo, de tanto sacrifício, de comer mal e descansar muito pouco, passei numa prova dificílima, provei minha capacidade, fiquei orgulhosa de mim.
À uma da tarde, confirmei uma suspeita horrorosa e desprezível e desde então nada faço além de me perguntar o que dá pra fazer com isso.

No sábado, às três e quarenta da manhã, eu não conseguia dormir nem respirar direito e fui me esconder dos meus monstros debaixo da tua coberta. Você me abraçou e “shhh… respira fundo, assim ó” e de repente eu consegui respirar de novo e finalmente adormecer.
Às dez da noite, você me levou pra sair. E daí tocaram “Daughter” na festinha e você reparou meus olhos tristes, mas disfarçou um pouco antes de me levar embora.

No domingo, às seis e meia da manhã, eu estava prestes a enlouquecer quando você ouviu meus soluços e de um salto veio parar ao meu lado. “Shhh… respira!” E o carinho na cabeça. E finalmente o desmaio.
Daí você me trouxe pra casa e voltou pra sua, porque o fim de semana acabou.

E eu aqui, ainda imaginando o que será que dá pra fazer com isso.
E soluçando e enlouquecendo e sem conseguir respirar direito.
E, por alguma razão, parece que eu só consigo respirar quando você respira do meu lado, só consigo dormir quando você dorme do meu lado.
E eu aqui, morrendo de medo de nunca mais dormir.

Por favor, volta.

Sem título #1

Você é tão lindo que hoje eu me peguei aqui pensando se você consegue ter uma vida normal. Porque, veja só: é impossível articular palavras, que dirá frases quando você está perto demais. Será que você já conseguiu conversar com alguém que não fosse da sua família ou que você não conhecesse desde criança? Aliás, você devia ser uma criança lindíssima. Ou talvez o mundo inteiro não seja assim tão tolo quanto eu.
Eu finjo que sou forte e tento não fazer cara de pateta quando você se aproxima, mas cara, você sorri com covinhas no canto da boca e quando eu dou por mim tô aqui pagando de abestalhada sem conseguir pensar noutra coisa que não seja esse sorriso incrível e, meus ais!, covinhas tão miúdas, tão lindas, tão. Covinhas.
Você é tão grande e cheio de si e presente. Enche uma casa inteira. Enche de gargalhada alta, de cheiro de loção pós-barba misturado com cigarro, enche de uma ternura tão profunda quanto nova. E você é tão… solar, Deus! Você e seu sorriso largo cheio de bochechas, parece a personificação do verão, do calor, da vontade. Da minha vontade.
Impossível não te querer assim.

Namorado,

Um dia desses não me aguento, te prendo num canto até conseguir falar tudo o que tem aqui guardado em mim.

Aí eu vou te dizer que eu te adorava antes de saber que iríamos ficar juntos e que, quando você diz que eu já tinha uma queda enorme por você, eu nunca confesso que é só pra te contrariar.

Vou te contar que eu tive bem muita vontade de te dizer que sim daquela vez em que você me pediu em namoro, mas eu achei que era só o álcool falando e eu senti medo de que você ainda não me quisesse como eu já te queria.

Depois eu vou tentar te explicar como eu me sinto quando você me olha assim, lindo, e me diz que eu sou a “coisa mais foda que já aconteceu” na sua vida.

Espero criar coragem pra te contar que toda vez que eu olho nesses olhos de um castanho que eu nunca vi igual, eu rezo baixinho pra você me querer pra sempre. E se qualquer lampejo os ilumina por um instante que seja, aí eu emendo uma rezinha pra que os nossos filhos tenham olhos desse castanho incrível e cílios compridos feito os seus.

Nesse dia eu te conto da ternura imensa que é quando você começa a me confessar coisas lindas e dividir segredinhos e me encher de bronca, dizendo que eu sou teimosa e atrevida. Ou quando descubro em ti outras cócegas e você finge que detesta. Quando eu tento fingir que não sou uma louca risonha, daí te olho e você nem disfarça o sorriso no canto da boca. Quando você faz das suas muitas brutas gentilezas, aparece de surpresa ou me traz flores lindas. Quando você me preparou aquele jantar-de-quase-um-ano. Quando pede pra eu ficar só um pouquinho mais.

Te listo todos os carinhos que eu adoro muito, desde aqueles que amolecem meu coração até os que amolecem meus joelhos.

E daí eu te confesso o mais importante. Te confesso que você me fez sorrir quando eu achei que não conseguia, que você me encantou quando eu pensei que não pudesse acontecer de novo. Que você despertou em mim sensações únicas, diferentes de todas as outras, quando eu achei que já houvesse experimentado todo tipo de amor.

Te conto tudo, te peço pra casar comigo, me abraçar e não sair nunca mais.

Um dia desses.

Post sem título, sem pé e sem cabeça

Eu tenho uma amiga cujo namorado é o melhor do mundo, na opinião de toda solteira romântica. Ele é o tipo de cara que manda flores e traz presentes e bombons em dias aleatórios e liga três vezes ao dia apenas pra dizer que a ama. Nunca esquece um aniversário de namoro desde o primeiro mês juntos e a festa de noivado dos dois foi linda e em família.

E todas as meninas sonham com um namorado destes, porque quem é que não quer ser acordada todos os dias com um café da manhã maravilhoso, quem é que não quer ser adorada e mimada o tempo inteiro?

Eu não quero.

Mas é que eu to muito satisfeita com aquele cara que não é romântico de dizer coisas bonitas de maneira infindável. Quando ele diz que me ama, não diz “Você é linda, inteligente e eu te amo do fundo do meu coração”, mas diz “Puta que pariu, você é muito linda, você é foda, eu te amo pra caralho” e eu acho que assim é mais divertido. Quando quer me fazer rir, ele não me faz cócegas, mas diz qualquer coisa que me irrite muito e é engraçado, porque só tendo a nossa sintonia isso não vira briga. Quando ele quer ser lindo de verdade, me faz surpresinhas e me deixa sorrindo de canto a canto só de lembrar da delícia que é ver aqueles olhos de cílios compridos bem pertinho dos meus.

Eu não quero um namorado que seja o mais romântico do mundo. Ninguém tem saco pra ser a pessoa mais romântica do mundo o tempo inteiro, e quando o romantismo falha uma vez que seja, vira problema. Porque será que ele não ligou hoje? Cadê meu café na cama? Há quanto tempo você não manda flores, hein?

Eu quero humor. Eu quero rir de gargalhar, e ficar surpresa quando vierem as flores e o café na cama. Eu quero achar lindo quando ele me ligar apenas pra ouvir a minha voz mesmo que isso aconteça com a frequência de um eclipse  solar. Eu quero não enjoar da ternura que eu sinto quando ele aparece de surpresa e faz meu coração parar por um segundo. Eu quero saber que é verdade quando ele me diz as doçuras que me diz. Quero deitar naquele abraço morno e saber que ele sente a mesma saudade, a mesma quentura, a mesma borboleta-coruja no estômago.

E eu quero continuar escrevendo posts lamentáveis e sem sentido como este, semana após semana, somente para celebrar a beleza que é estar completamente brega de apaixonada.