Namorado,

Um dia desses não me aguento, te prendo num canto até conseguir falar tudo o que tem aqui guardado em mim.

Aí eu vou te dizer que eu te adorava antes de saber que iríamos ficar juntos e que, quando você diz que eu já tinha uma queda enorme por você, eu nunca confesso que é só pra te contrariar.

Vou te contar que eu tive bem muita vontade de te dizer que sim daquela vez em que você me pediu em namoro, mas eu achei que era só o álcool falando e eu senti medo de que você ainda não me quisesse como eu já te queria.

Depois eu vou tentar te explicar como eu me sinto quando você me olha assim, lindo, e me diz que eu sou a “coisa mais foda que já aconteceu” na sua vida.

Espero criar coragem pra te contar que toda vez que eu olho nesses olhos de um castanho que eu nunca vi igual, eu rezo baixinho pra você me querer pra sempre. E se qualquer lampejo os ilumina por um instante que seja, aí eu emendo uma rezinha pra que os nossos filhos tenham olhos desse castanho incrível e cílios compridos feito os seus.

Nesse dia eu te conto da ternura imensa que é quando você começa a me confessar coisas lindas e dividir segredinhos e me encher de bronca, dizendo que eu sou teimosa e atrevida. Ou quando descubro em ti outras cócegas e você finge que detesta. Quando eu tento fingir que não sou uma louca risonha, daí te olho e você nem disfarça o sorriso no canto da boca. Quando você faz das suas muitas brutas gentilezas, aparece de surpresa ou me traz flores lindas. Quando você me preparou aquele jantar-de-quase-um-ano. Quando pede pra eu ficar só um pouquinho mais.

Te listo todos os carinhos que eu adoro muito, desde aqueles que amolecem meu coração até os que amolecem meus joelhos.

E daí eu te confesso o mais importante. Te confesso que você me fez sorrir quando eu achei que não conseguia, que você me encantou quando eu pensei que não pudesse acontecer de novo. Que você despertou em mim sensações únicas, diferentes de todas as outras, quando eu achei que já houvesse experimentado todo tipo de amor.

Te conto tudo, te peço pra casar comigo, me abraçar e não sair nunca mais.

Um dia desses.

20h30min

Miguel,

Há pouco mais de um ano atrás, quando soube que sua mãe estava grávida, fiquei meio desesperada. Ela e o seu pai ainda não eram casados e tinham, respectivamente, 21 e 23 anos. Era muito cedo. Você não foi exatamente um enorme susto (quando você crescer mais um pouco, vai entender direitinho), mas a gente nunca acha que vai acontecer com a gente, sempre é só com o vizinho.

Não demorou muito tempo pra que você fosse adorado, esperado e desejado por nós. Você é irresistível, sempre foi. Desde a barriga da mamãe, bastava ouvir uma voz que se dirigisse a você, já pulava, se contorcia, nunca escondeu que era levado. A madrinha gostava de colocar a boca perto do umbigo da mamãe e te contar o que te esperava cá fora quando você saísse pra ver o mundo. E você chutava em resposta.

Eu nunca vou me esquecer do dia em que você nasceu. A enfermeira apareceu com aquele embrulho pequeninho e você já tinha olhos arregalados e curiosos, que queriam conhecer o mundo inteiro.

já nasceu lindo, mesmo com carinha de joelho

Você ainda é tão pequeno, mas já é tão grande! Lembrar daquele embrulho verde na porta do centro cirúrgico, lembrar de você tomando o primeiro banho em casa, dando o primeiro sorriso, as caretinhas que você fazia sem saber… dá saudade, sabia? Agora você já sabe sorrir, fazer caretinhas de charme e de pirraça. Essa semana você aprendeu a andar e a chamar pela tia Ana. Você é tão esperto!

Te ver crescer todos os dias, me faz crescer um pouco todos os dias, junto com o meu amor por você. A sua inocência e o seu amor tão doce me ensinam a ser paciente, cuidadosa, responsável.

Não há um dia que passe sem que eu te ame um pouco mais, pequeno. Eu te amo de um amor que eu nunca imaginei ser capaz de sentir. Eu te amo como se você tivesse saído de mim.

Feliz primeiro aniversário.

Um beijo da tia Ná.