Dois.

Miguel, dois anos! Dois anos inteirinhos, como você cresceu! Como eu cresci também, juntinho com você.  Se eu parar pra pensar direitinho, acho que você me ensina muito mais do que eu ensino a você. Desde que me tornei a “tia Ana”, me sinto mais responsável. Pelas minhas atitudes e pela maneira de encarar a vida, principalmente. Todo o cuidado do mundo é pouco quando você me olha com a sua carinha de dúvida, porque eu sei que aquilo que te digo hoje e que te ensino como certo/errado hoje vai grudar na sua cabecinha e demorar pra sair. Porque você é inocente e não merece que coloquemos caraminholas onde devem haver apenas alegria, simpatia e  esses fiozinhos finos e loirinhos por enquanto.
Me enche de ternura o modo como nós temos coisinhas só nossas, e o jeito que você ri gostoso das brincadeiras mais bobas do mundo que eu invento pra te distrair. Amo o fato de você adorar ir dormir comigo, só porque eu faço suas vontades e te deixo brincar cinco minutinhos além da conta, ou porque eu te conto histórias onde o Lobo Mau tem um trator grandão (e você adora trator grandão!) e os porquinhos somos todos nós, até a Malu.
Peço a Deus todos os dias pra continuar cuidando bem muito de você, e colocar mais uns dois anjinhos da guarda na sua cola, que eu acho que os seus estão fazendo hora extra e ficando cansados, isso porque você é MUITO levado e toma um tombo a cada cinco minutos.
Às vezes a tia Ana precisa estudar e eu sinto muito que você ainda não entenda que eu não posso te dar atenção nessas horas, mas você é esperto e logo logo vai saber. Às vezes você faz ou fala umas coisas feias (muitas você aprendeu aqui em casa, até) e a tia briga e fica brava, mas logo você entende que não é tudo o que seus pais e avós ou padrinhos fazem que é bonito. Nós erramos muito, também.
O importante é que você saiba que nós queremos, do fundo do nosso coração, acertar tudo pra você. Queremos fazer que tudo seja mais fácil pra você do que foi e é pra nós. Claro que algumas vezes vamos conseguir, outras vezes não vamos. Muitas vezes vai ser difícil pra você, porque é assim mesmo. Mas aí você vai descobrir que o fácil não tem tanta graça quanto o difícil. E você vai ter a nós todos, sempre. E o difícil vai ficando fácil porque você vai ficando craque nisso.

Piquitinho, amo você demais. Amo você que  quase não cabe. Pra sempre.
Feliz aniversário!
Um beijo grandão (maior que o trator!) da madinha Ana.

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