Na sexta-feira, ao meio-dia, aconteceu comigo uma coisa que eu buscava há meses. Depois de tanto estudo, de tanto sacrifício, de comer mal e descansar muito pouco, passei numa prova dificílima, provei minha capacidade, fiquei orgulhosa de mim.
À uma da tarde, confirmei uma suspeita horrorosa e desprezível e desde então nada faço além de me perguntar o que dá pra fazer com isso.

No sábado, às três e quarenta da manhã, eu não conseguia dormir nem respirar direito e fui me esconder dos meus monstros debaixo da tua coberta. Você me abraçou e “shhh… respira fundo, assim ó” e de repente eu consegui respirar de novo e finalmente adormecer.
Às dez da noite, você me levou pra sair. E daí tocaram “Daughter” na festinha e você reparou meus olhos tristes, mas disfarçou um pouco antes de me levar embora.

No domingo, às seis e meia da manhã, eu estava prestes a enlouquecer quando você ouviu meus soluços e de um salto veio parar ao meu lado. “Shhh… respira!” E o carinho na cabeça. E finalmente o desmaio.
Daí você me trouxe pra casa e voltou pra sua, porque o fim de semana acabou.

E eu aqui, ainda imaginando o que será que dá pra fazer com isso.
E soluçando e enlouquecendo e sem conseguir respirar direito.
E, por alguma razão, parece que eu só consigo respirar quando você respira do meu lado, só consigo dormir quando você dorme do meu lado.
E eu aqui, morrendo de medo de nunca mais dormir.

Por favor, volta.

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