Sem título #1

Você é tão lindo que hoje eu me peguei aqui pensando se você consegue ter uma vida normal. Porque, veja só: é impossível articular palavras, que dirá frases quando você está perto demais. Será que você já conseguiu conversar com alguém que não fosse da sua família ou que você não conhecesse desde criança? Aliás, você devia ser uma criança lindíssima. Ou talvez o mundo inteiro não seja assim tão tolo quanto eu.
Eu finjo que sou forte e tento não fazer cara de pateta quando você se aproxima, mas cara, você sorri com covinhas no canto da boca e quando eu dou por mim tô aqui pagando de abestalhada sem conseguir pensar noutra coisa que não seja esse sorriso incrível e, meus ais!, covinhas tão miúdas, tão lindas, tão. Covinhas.
Você é tão grande e cheio de si e presente. Enche uma casa inteira. Enche de gargalhada alta, de cheiro de loção pós-barba misturado com cigarro, enche de uma ternura tão profunda quanto nova. E você é tão… solar, Deus! Você e seu sorriso largo cheio de bochechas, parece a personificação do verão, do calor, da vontade. Da minha vontade.
Impossível não te querer assim.

Que seja.

Tem tanto tempo que eu quero escrever algo sobre nós dois, sobre a paz que tomou conta da gente e nos fez mais fortes.
Acontece que toda vez que eu sentava aqui pra escrever e começava a me sentir orgulhosa e feliz, era como se uma voz gritasse dentro da minha cabeça. E ela gritava que não, eu NÃO PODIA me sentir daquela forma, eu não podia me sentir alegre ou leve com relação a nós dois.  Era uma vergonha que eu estivesse feliz, eu só podia ser mesmo uma burra por estar feliz. A felicidade foi feita apenas para os idiotas; quem possui um cérebro e a capacidade de usá-lo está fadado a sentir-se miserável eternamente.

Então, ser feliz com você seria assim tão absurdo? Mais absurdo que nos condenar a essa falsa sensação de paz? Mais absurdo que ter me permitido ser feliz quando gente que sequer chegou a me amar me fez sofrer tanto; mais absurdo que perdoar essa gente?

Então, que seja.
Eu não posso continuar fechando meus olhos pra todo o bem que você tem me feito, nem agir como se tudo fosse uma compensação pelo que aconteceu conosco. Eu não posso continuar me comportando como se, pelo fato de você ter cometido um erro — enorme, é verdade, mas um erro — toda a minha arrogância seja compreensível.

Você foi capaz de transformar toda aquele vazio e aquela dor num sossego que eu não sei começar a descrever. Me fez querer ser paciente e te ver mudando, dia após dia, me fez querer ficar pra perceber essa mudança.

De um jeito meio torto, me lembrou a primeira vez em que você disse que me amava. A gente viajou pro litoral com os seus amigos e você ficou bêbado demais, cedo demais.
— Eu te amo, cara — eu não sei como você consegue, mas tem hora que você sorri com a cara toda e naquela hora você sorria com os dentes, a boca, os olhos e o nariz. Lindo. Lindo.
— Você tá bêbado.
— Mas é verdade.
— Amanhã você nem vai lembrar disso.
— Amanhã eu vou acordar sóbrio e vou te dizer de novo que eu te amo.

E foi o que você fez na manhã seguinte. E foi assim que, dia após dia, você acordou sóbrio de toda essa bagunça e me disse de novo, e de novo, e de novo. Até que eu finalmente acreditasse. Até que eu dissesse de volta. Até que eu desejasse te amar de novo do mesmo jeito que eu te amei quando te vi sorrindo com o queixo e as sobrancelhas, ainda não sei se do álcool ou se da  antecipação de dizer “eu te amo” pela primeira vez.

E é assim que eu desejo te amar. Sem pensar demais, nunca mais, pra não me privar de sentir a ternura que eu sinto pelos seus olhos castanhos. Essa ternura que eu sinto pelo seu cabelo despenteado, pela sua bermuda surrada. Essa ternura de cheirar seu pescoço e querer sentir isso pra sempre.

Então, que seja. Que seja dócil até ser bobo de novo.

Namorado,

Um dia desses não me aguento, te prendo num canto até conseguir falar tudo o que tem aqui guardado em mim.

Aí eu vou te dizer que eu te adorava antes de saber que iríamos ficar juntos e que, quando você diz que eu já tinha uma queda enorme por você, eu nunca confesso que é só pra te contrariar.

Vou te contar que eu tive bem muita vontade de te dizer que sim daquela vez em que você me pediu em namoro, mas eu achei que era só o álcool falando e eu senti medo de que você ainda não me quisesse como eu já te queria.

Depois eu vou tentar te explicar como eu me sinto quando você me olha assim, lindo, e me diz que eu sou a “coisa mais foda que já aconteceu” na sua vida.

Espero criar coragem pra te contar que toda vez que eu olho nesses olhos de um castanho que eu nunca vi igual, eu rezo baixinho pra você me querer pra sempre. E se qualquer lampejo os ilumina por um instante que seja, aí eu emendo uma rezinha pra que os nossos filhos tenham olhos desse castanho incrível e cílios compridos feito os seus.

Nesse dia eu te conto da ternura imensa que é quando você começa a me confessar coisas lindas e dividir segredinhos e me encher de bronca, dizendo que eu sou teimosa e atrevida. Ou quando descubro em ti outras cócegas e você finge que detesta. Quando eu tento fingir que não sou uma louca risonha, daí te olho e você nem disfarça o sorriso no canto da boca. Quando você faz das suas muitas brutas gentilezas, aparece de surpresa ou me traz flores lindas. Quando você me preparou aquele jantar-de-quase-um-ano. Quando pede pra eu ficar só um pouquinho mais.

Te listo todos os carinhos que eu adoro muito, desde aqueles que amolecem meu coração até os que amolecem meus joelhos.

E daí eu te confesso o mais importante. Te confesso que você me fez sorrir quando eu achei que não conseguia, que você me encantou quando eu pensei que não pudesse acontecer de novo. Que você despertou em mim sensações únicas, diferentes de todas as outras, quando eu achei que já houvesse experimentado todo tipo de amor.

Te conto tudo, te peço pra casar comigo, me abraçar e não sair nunca mais.

Um dia desses.

Tudo o que eu queria dizer

Vinha procurando uma forma de contar aqui tudo o que você tem me feito sentir, mas eu nunca consegui escrever nada que fizesse tanto sentido, nada explicado explicadinho o que eu quero que você saiba.

Aí hoje eu encontrei esse texto, e ele é tudo tudo o que eu quero te dizer.

O último

Tati Bernardi

Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu. Eu amo tanto o seu banheiro com as combinações em verde e a chuva fina do chuveiro, que chorei essa manhã enquanto você tomava taffman-e e ouvia música eletrônica.
Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer.
Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre?
Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora.
E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam.
Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na Praça pôr-do-sol, eu, você e a Lolita, a minha cachorrinha mala, e a gente ficou abraçado, e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir, eu senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.
Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo.
E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe.
E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia.
Eu te engoli e você é tão grande pra mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou.
Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo.
E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira.
Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um cd inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.
Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.
Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.
Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão.
Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final.

Post sem título, sem pé e sem cabeça

Eu tenho uma amiga cujo namorado é o melhor do mundo, na opinião de toda solteira romântica. Ele é o tipo de cara que manda flores e traz presentes e bombons em dias aleatórios e liga três vezes ao dia apenas pra dizer que a ama. Nunca esquece um aniversário de namoro desde o primeiro mês juntos e a festa de noivado dos dois foi linda e em família.

E todas as meninas sonham com um namorado destes, porque quem é que não quer ser acordada todos os dias com um café da manhã maravilhoso, quem é que não quer ser adorada e mimada o tempo inteiro?

Eu não quero.

Mas é que eu to muito satisfeita com aquele cara que não é romântico de dizer coisas bonitas de maneira infindável. Quando ele diz que me ama, não diz “Você é linda, inteligente e eu te amo do fundo do meu coração”, mas diz “Puta que pariu, você é muito linda, você é foda, eu te amo pra caralho” e eu acho que assim é mais divertido. Quando quer me fazer rir, ele não me faz cócegas, mas diz qualquer coisa que me irrite muito e é engraçado, porque só tendo a nossa sintonia isso não vira briga. Quando ele quer ser lindo de verdade, me faz surpresinhas e me deixa sorrindo de canto a canto só de lembrar da delícia que é ver aqueles olhos de cílios compridos bem pertinho dos meus.

Eu não quero um namorado que seja o mais romântico do mundo. Ninguém tem saco pra ser a pessoa mais romântica do mundo o tempo inteiro, e quando o romantismo falha uma vez que seja, vira problema. Porque será que ele não ligou hoje? Cadê meu café na cama? Há quanto tempo você não manda flores, hein?

Eu quero humor. Eu quero rir de gargalhar, e ficar surpresa quando vierem as flores e o café na cama. Eu quero achar lindo quando ele me ligar apenas pra ouvir a minha voz mesmo que isso aconteça com a frequência de um eclipse  solar. Eu quero não enjoar da ternura que eu sinto quando ele aparece de surpresa e faz meu coração parar por um segundo. Eu quero saber que é verdade quando ele me diz as doçuras que me diz. Quero deitar naquele abraço morno e saber que ele sente a mesma saudade, a mesma quentura, a mesma borboleta-coruja no estômago.

E eu quero continuar escrevendo posts lamentáveis e sem sentido como este, semana após semana, somente para celebrar a beleza que é estar completamente brega de apaixonada.

Porra, Ana!

To apaixonada. Depois desse post isso não é novidade alguma pra nós, eu acho.

Mas é que hoje eu tava no ônibus – OPA, PERAÍ. Tinha esquecido de uma coisa imprescindível pra que eu seja compreendida: a trilha sonora. Dá play nessa parada aí:

Então hoje eu tava no ônibus ouvindo essa música e pensando no fim de semana perto do namorado, em como ele tem me feito feliz e em como eu sei que o tenho feito feliz também.

Daí eu comecei a viajar.

I wouldn’t change a thing about it “nossa, verdade, não tem uma só coisa que eu não ame” (é mentira, btw)

This is the best feeling “nossa, demais, o melhor de todos, a melhor coisa que eu já senti”

This innocence is brilliant  “nossa, coisa mais linda poder ter isso”

This moment is perfect, please don’t go away “meu, essa música é muito minha”

Essa música é muito minha, essa música é muito nossa NOSSA GENTE HIPERVENTILEI SOCORRO

Daí me cai  a ficha que eu não tenho mais quinze anos e tava no busão imaginando que uma música da Avril Lavigne tinha sido escrita pra mim.

Porra, Ana! Vê se cresce!