I want it all

Sempre que eu sei de você me invade esse quentinho no peito, misturado com uma angústia e uma dose enorme de saudade.
E aí eu rolo a noite inteira na cama, às vezes insone, às vezes sonhando com uma cama nunca mais arrumada; um Box pequeno demais; três sapinhos abraçados e sorridentes; o céu cinza mais feliz do mundo.
E por vezes a minha vontade de te abraçar uma outra vez me dói a barriga. Por vezes pensar que isso pode não acontecer me dá medo e ânsia de vômito.
Não que eu não esteja feliz, porque eu estou. Me sinto segura, amada, útil.
Mas se eu pudesse querer qualquer coisa no mundo, se eu tivesse um gênio da lâmpada, eu quereria ter tudo. E tudo eu sei que não posso ter.

Amarelo-ouro

Me achei sentindo uma saudade de você tão desmedida, que eu jurava que podia desmaiar a qualquer momento. Parecia que as pequenas saudades que eu vinha sentindo todo dia resolveram se unir contra mim numa forma de protesto por ter, deliberadamente, parado de te procurar.

Cheguei a pensar que isso era mesmo muito inconveniente, mas me lembrei de que, nesses tantos anos, você jamais foi inconveniente. Nunca me incomodou, nem nas coisas que, em outras pessoas, me fariam querer arrancar os cabelos. Como esse jeito tão calmo de lidar comigo e minhas neuras, me aquietar a alma; ou como quando a ideia era totalmente sua e tudo fazia parecer que havia saído da minha cabeça. Seu jeito de andar, de menino que cresceu demais e de repente parecia não saber o que fazer com todo aquele tamanho. Ou como quando você segurava a minha mão, tão leve. Tão leve e depois me apertava inteira.

Reli seus e-mails (os que não foram-se embora com o hotmail que perdi) e chorei, desnorteada, ao não conseguir mais me encaixar ali dentro. Você me descrevia como alguém tão livre e se dizia inclusive amedrontado por aquela liberdade. Aonde? O que eu nunca tive coragem de te contar é que eu era livre assim somente com você e pra você, porque você me permitia essa liberdade. Se havia alguém com quem eu podia ser exatamente aquilo que desejasse, esse alguém era você. E era exatamente essa liberdade que me prendia a nós dois e àquela ideia de ir vender santinho de barro e artesanato em qualquer lugar de Minas.

Se há uma saudade que vai ficar em mim pra sempre, essa saudade é sua, toda sua. Você continua tão amarelo, de olhos tão verdes, e tão sorridente, e tão incrível e tão lindo quanto sempre foi nos meus sonhos e é de verdade .

E eu que achava impossível amar mais de uma vez ao mesmo tempo, porque o amor devia ser tão inteiro e intenso e completo, logo eu que duvidava desse amor, acabei de me dar conta que ofereci um amor inteirinho a outra pessoa sem pra isso ter que tirar sequer um pedacinho do amor que é seu e continua aqui da mesma maneira que sempre foi: inteiro, intenso e completo. E parece que vai ser assim pra sempre.

Sem título #1

Você é tão lindo que hoje eu me peguei aqui pensando se você consegue ter uma vida normal. Porque, veja só: é impossível articular palavras, que dirá frases quando você está perto demais. Será que você já conseguiu conversar com alguém que não fosse da sua família ou que você não conhecesse desde criança? Aliás, você devia ser uma criança lindíssima. Ou talvez o mundo inteiro não seja assim tão tolo quanto eu.
Eu finjo que sou forte e tento não fazer cara de pateta quando você se aproxima, mas cara, você sorri com covinhas no canto da boca e quando eu dou por mim tô aqui pagando de abestalhada sem conseguir pensar noutra coisa que não seja esse sorriso incrível e, meus ais!, covinhas tão miúdas, tão lindas, tão. Covinhas.
Você é tão grande e cheio de si e presente. Enche uma casa inteira. Enche de gargalhada alta, de cheiro de loção pós-barba misturado com cigarro, enche de uma ternura tão profunda quanto nova. E você é tão… solar, Deus! Você e seu sorriso largo cheio de bochechas, parece a personificação do verão, do calor, da vontade. Da minha vontade.
Impossível não te querer assim.